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Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: presidente da SBPC faz análise sobre situação atual

Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: presidente da SBPC faz análise sobre situação atual

A Adufc-Sindicato, em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizou palestra nesta quinta-feira (21), ministrada pelo professor e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ildeu de Castro. O tema foi ”Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: a situação atual.”

O presidente da Adufc-Sindicato, professor Enio Pontes, e a secretária regional da SBPC, professora Cláudia Linhares, abriram o evento. ”Espero que possamos ter uma visão do que está acontecendo no nosso país. Com esse desmonte causado pelo atual governo nas áreas de Ciência e Tecnologia (C&T), é nosso papel debater e resistir a esse descaso”, afirmou o professor Enio.

Para o professor Ildeu, que é presidente da SBPC, o Brasil está diante de um plano de desmonte não só da ciência brasileira, mas também da educação e parte da indústria. Ao iniciar sua fala, ele relembrou a importância de levar informação para a população em geral, pois a sociedade não tem a real noção da gravidade do que está acontecendo.

”A sociedade científica e acadêmica pode contribuir muito mais do que tem feito para a discussão das políticas públicas. Podemos ter uma voz mais ativa junto aos governantes, para que políticas na área de educação, meio ambiente, etc, possam ser viabilizadas”, mobilizou Ildeu.

Investimento na Ciência no Brasil

O professor apresentou um artigo escrito por ele para a revista ”Science” no ano de 2003, sobre ”os desafios da ciência brasileira”, e constatou que houve desenvolvimento em aspectos apontados como negativos à época – a produção científica e o aumento de universidades públicas em cidades do interior do país são exemplos do crescimento nos últimos anos.

A valorização da C&T proporcionou retorno positivo ao Brasil, apesar de ter sido bastante inferior ao financiamento de países desenvolvidos. Como um parâmetro, o pesquisador cita a política anticíclica adota por nações desenvolvidas em períodos de crise econômica: ”o investimento em C&T é essencial para garantir o aumento do PIB. Países como França, Alemanha, EUA, entre outros do G7, recebem retorno em forma de desenvolvimento econômico, melhoria de qualidade de vida e liderança global.

A invenção (em laboratórios de universidades públicas) do processo de fixação de nitrogênio pelas plantas, que multiplicou a produção da soja em quatro vezes e economiza cerca de 15 bilhões de reais por ano no Brasil; juntamente com a contribuição para o enfrentamento de epidemias emergentes e o aumento da expectativa de vida do brasileiro, são alguns dos muitos fatores que comprovam o caráter essencial da C&T no país, garante o professor.

Segundo o presidente da SBPC, o país está em uma encruzilhada novamente (assim como em meados de 2003), na medida em que está havendo contingenciamento de recursos para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, afetando um orçamento já muito precário. Como relata Ildeu, essa redução de recursos ameaça seriamente a sobrevivência da ciência brasileira, bem como o futuro do país e sua soberania.

”Eu não consigo pensar inovação sem educação, e essa questão é um desafio, pois mesmo as pessoas envolvidas no setor de Ciência e Tecnologia não têm percepção da importância que é melhorar a educação do país, incluindo evidentemente a educação científica. Você não consegue uma sociedade avançada se tem o nível ‘ralo’ de educação científica que existe no Brasil”, ponderou o professor que ainda citou o exemplo da cidade de Sobral sendo referência de bom ensino nessa área.

*Confira na íntegra a palestra do professor Ildeu de Castro: https://youtu.be/YGl_fy5FH1Y

Sobre o palestrante

Doutor em física pela UFRJ, é professor do Instituto de Física e de programa de pós-graduação em História das Ciências, Ensino de Física e História da Física na UFRJ, e em mestrado em Divulgação Científica (Fiocruz/UFRJ/MAST/JBRJ).

Realizou estágios de pesquisa na França, na École Polytechnique e na Universidade de Paris VII. Trabalha nas áreas de Física Teórica (sistemas não-lineares), História da Ciência, em particular História da Ciência no Brasil, e Comunicação Pública da Ciência.

Recebeu o Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica do CNPq em 2013. É Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC (2017-2019).

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