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26 de agosto/2022 – Em Assembleia Geral da ADUFC, docentes aprovam apoio à candidatura de Lula no 1º turno e luta pelo respeito às urnas

Docentes discutiram temas relacionados a Eleições 2022, democracia, educação e liberdade de expressão de servidores/as (Foto: Nah Jereissati/ADUFC/Sindicato)

O apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República no 1º turno das Eleições 2022 foi formalizado, na última sexta-feira (26/8), pelos/as docentes das universidades federais do Ceará. As deliberações ocorreram durante Assembleia Geral Extraordinária, realizada no Auditório Izaíra Silvino, na sede da ADUFC-Sindicato em Fortaleza, com transmissão online e interpretação em Libras. Os professores e professoras da UFC, UFCA e UNILAB debateram, ainda, a luta pela garantia à democracia e pelo respeito às urnas, entre outros temas, como a liberdade de expressão de servidores/as. 

Também foi aprovada na AG a elaboração de um parecer jurídico e um informativo, que serão feitos e publicizados pelo sindicato nos próximos dias, sobre como os/as docentes devem proceder durante a campanha, notadamente nas redes sociais. A decisão foi motivada por dúvidas manifestadas pela categoria e pelo recebimento de um email enviado pela administração da UFC sobre o tema. Um dos advogados da Assessoria Jurídica da ADUFC, Renan Bezerra, também participou do encontro respondendo e esclarecendo diversos questionamentos dos/as docentes.

A Assembleia Geral marcou o encerramento da “Semana da Educação pela Democracia: em defesa da universidade e da carreira docente”, realizada pelo sindicato de 22 a 26 de agosto. Foram cinco dias de atividades nos diferentes campi e fora dos muros da universidade para denunciar as condições enfrentadas no ensino superior público e o desmonte promovido pelo governo Bolsonaro na educação e nos serviços públicos.

A plenária também autorizou a diretoria da ADUFC a escrever uma nota de repúdio ao autoritarismo do interventor da UFC, Cândido Albuquerque, devido a suas intensas tentativas para impedir a realização do evento, negando espaços para atividades, pressionando e desautorizando diretores/as de unidades acadêmicas. O texto deverá ser publicado em breve no site da entidade.

A Semana da Educação pela Democracia foi avaliada como exitosa pela direção da ADUFC e pelos/as docentes da base que se manifestaram durante a AG. “Mesmo com a negativa de cessão de todos os espaços da UFC, mesmo quando diretores e diretoras de unidades acadêmicas já haviam autorizado, realizamos o evento. Essa negativa do interventor não inviabilizou que a gente ocupasse a universidade”, disse o presidente da ADUFC, Prof. Bruno Rocha, acrescentando que o próprio auditório do sindicato ficou lotado algumas vezes durante a semana, em substituição a alguns locais de conferência e debates já previamente agendados.

Decisão preza pelo futuro da democracia e os rumos da educação

A discussão da AG que levou à aprovação do apoio à candidatura do presidente Lula foi permeada apenas por falas que demonstraram forte preocupação com os rumos da democracia e do futuro da educação e dos serviços públicos no país, caso a atual gestão do governo federal seja mantida. Em âmbito estadual, a categoria também foi convocada a participar nas campanhas, observando candidatos que têm a educação e a democracia como pauta.

“Nós não estamos vivendo um período eleitoral como os anteriores. Estamos vivendo, de uma maneira muito concreta,e ataques à democracia, com perspectiva de golpe de estado”, lembrou a Profª. Irenísia Oliveira, vice-presidente da ADUFC. Ela afirmou que as próximas eleições “têm em jogo o destino do país de uma maneira muito profunda” e lembrou o contexto local que atinge notadamente o ambiente acadêmico. “Vemos como o interventor nomeado pelo Bolsonaro (na UFC) já restringiu espaços, implantou medo, autocensura; o que é próprio da ditadura nós já estamos vendo”, exemplificou.

Para o Prof. Gerardo Vasconcelos (Deptº. de Fundamentos da Educação – Faced/UFC), há um contexto adverso para a democracia, com um atual presidente que tenta se reeleger mesmo “provocando e desafiando as instituições” o tempo todo e atacando as universidades, que “sempre foram um lugar de resistência, inclusive na época da ditadura militar”. Ele disse acreditar estar “mais do que evidente” a necessidade de se lutar não apenas contra Jair Bolsonaro, mas contra o “bolsonarismo entranhado na sociedade”.

O docente, como diversos/as outros/as que se manifestaram durante a AG, afirmou não ver outra possibilidade que não seja a de apoiar o candidato Lula, “numa perspectiva concreta de combate ao fascismo hoje”. Muitos docentes compartilharam na Assembleia Geral, com preocupação, impressões sobre a conjuntura atual e a urgência em apoiar firmemente o ex-presidente Lula nas eleições. “É um contexto perigoso, em que o fascismo avança no Brasil com toda força”, apontou o Prof. Francisco Pinheiro (Deptº. de História/UFC).

Muitos dos relatos convergiram para um ponto de vista – em que a luta pela democracia nesse momento decisivo significa apoiar um governo que tenha condições de derrotar o bolsonarismo, como destacou a Profª Alba Carvalho (Deptº de Ciências Sociais/UFC). “Estamos vivendo um momento muito peculiar nesse país: da luta de classes, com o bolsonarismo de um lado e as esquerdas, do outro”, argumentou.

Entre outros encaminhamentos gerados a partir da Assembleia Geral, estão: o comprometimento da diretoria da ADUFC em promover e dar visibilidade aos debates  e entrevistas no âmbito democrático durante o processo eleitoral; e a participação da categoria, a exemplo dos anos anteriores, no Grito dos Excluídos (7/9). Também foram repassados à plenária informes sobre as lutas locais e nacional pela recomposição salarial das categorias do serviço público.