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INTERVENÇÃO NA UFC – Mobilização conjunta acionará esferas administrativas e judiciais contra perseguição da Reitoria

Intervenção na UFC é rechaçada pela comunidade universitária desde o início, como no “cadeiraço” de agosto de 2019, no cruzamento das avenidas 13 de Maio e Universidade (Foto: Nah Jereissati/ADUFC-Sindicato)

Em resposta à comunidade acadêmica da Universidade Federal do Ceará (UFC), medidas nas esferas judiciais e administrativas estão sendo tomadas por diversas assessorias jurídicas, incluindo a da ADUFC-Sindicato, após as mais recentes ações de prática antissindical da Reitoria da instituição, sob intervenção bolsonarista desde agosto de 2019. Os encaminhamentos foram tomados em decisão conjunta, após reunião realizada nesta quarta-feira (13/4). O encontro teve a participação do Observatório do Assédio Moral nas Universidades Federais do Ceará, no âmbito da ADUFC, criado em 2020 com o intuito de combater a perseguição política na UFC, UFCA e UNILAB.

Descredenciada de forma recorrente por alguns membros da administração superior da UFC como sindicato legítimo de representação docente, a ADUFC ingressará ao órgão competente denúncias contra a reitoria da UFC por práticas antissindicais. Haverá, ainda, cobrança pelo direito de resposta de todos os citados na nota da UFC publicada no último sábado (9/4), bem como a adoção de medidas judiciais cíveis e criminais cabíveis envolvendo todas as pessoas e entidades citadas. O encontro ocorreu em formato híbrido, com representantes presencialmente na sede do sindicato, em Fortaleza, e participação online.

“É o discurso misógino e machista que atrela as ações de uma mulher às do companheiro, invisibilizando nossa vida e militância. É a prática antissindical que temos enfrentado desde que a intervenção foi instaurada na UFC”, criticou a secretária-geral da ADUFC, Profª. Helena Martins, vítima do ataque machista da administração superior da UFC. “Minha história, meu trabalho, minha atuação em todos os movimentos e na ADUFC são provas da minha conduta ética e compromissada. Tão compromissada que não será interrompida, apesar da criminalização”, acrescenta a pesquisadora e docente do Curso de Publicidade e Propaganda (ICA/UFC) e representante de sua categoria no Conselho Universitário (Consuni).

O direito de resposta a ser cobrado no âmbito administrativo refere-se à instrumentalização do portal de notícias da UFC, usado deliberadamente pelo interventor, Cândido Albuquerque, para fazer ataques a opositores/as, em um flagrante desvio de finalidade da comunicação  institucional. “Comparado ao que aquela nota representa, ainda é pouco, mas vamos exercer o direito de nos posicionar naquele mesmo espaço, em resposta à altura daquele texto misógino e antissindical”, comenta o presidente da ADUFC, Prof. Bruno Rocha.

Apoio e solidariedade: luta política contra o bolsonarismo está unificada

Uma nota conjunta em repúdio às práticas antissindicais da Reitoria da UFC foi divulgada na última segunda-feira (11/4), assinada por dezenas de entidades, movimentos e coletivos. O documento segue recebendo adesões, que podem ser feitas via email (secretaria@adufc.org.br). Além das assinaturas que vêm sendo recebidas para inclusão no texto publicado no site da ADUFC (LEIA AQUI), as vítimas dos ataques vêm recebendo mensagens de apoio e solidariedade manifestadas em matérias e notas institucionais, a exemplo do ANDES-Sindicato Nacional, do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (SINTUFCE), do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo (Sindipetro Ceará/Piauí) e da Associação de Docentes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (ADUR-RJ).

O presidente da ADUFC, Prof. Bruno Rocha, acrescenta que a ação política iniciada antes mesmo de qualquer encaminhamento jurídico foi importante, tanto quanto o apoio de centrais sindicais, organizações e movimentos sociais. “Essa solidariedade manifestada nos fortalece, pois percebemos que a luta dos movimentos sociais e a luta política contra o bolsonarismo estão unificadas. E isso nos dá força para acreditar que vamos restabelecer a democracia nas ruas e nas urnas”. A nota conjunta e demais manifestações de apoio também se solidarizam à Profª. Helena Martins.

Recentes e insistentes práticas autoritárias e intervencionistas da reitoria da UFC já vinham repercutindo, inclusive em âmbito nacional, antes mesmo da publicação da nota no portal da instituição no último sábado (9/4). O/As delegado/as presentes no 40º Congresso do ANDES-Sindicato Nacional, realizado em Porto Alegre (RS), entre os dias 27 de março e 1º de abril de 2022, já haviam manifestado repúdio às práticas antissindicais da reitoria e “que se revelam em perseguição à ADUFC e também ao movimento estudantil” (LEIA AQUI). O documento, assinado em um dos mais importantes espaços deliberativos do ANDES-SN, reforçou que a reitoria da UFC, em intervenção desde agosto de 2019, mantém práticas antidemocráticas e de perseguição como marcas cotidianas na instituição.