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Organização sindical e possível refiliação ao ANDES-SN volta à pauta de debates na ADUFC

A definição de um calendário de debates sobre organização sindical nas unidades acadêmicas foi aprovada durante Assembleia Geral Ordinária  dos professores das Universidades Federais do Ceará, convocada pela ADUFC e realizada na manhã da última terça-feira (19/11), no Auditório do Centro de Tecnologia, no campus do Pici. As discussões devem abranger uma possível apresentação de refiliação ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), que já reúne hoje a ampla maioria dos docentes das universidades federais – de 60 delas, em um universo de 68 existentes. A diretoria da ADUFC-Sindicato retoma o necessário debate num momento crucial, quando se intensificam os conjuntos de ataques feitos de maneira sincronizada pelo governo de Jair Bolsonaro.

Todos os instrumentos para envolver a categoria nesse processo serão possibilitados. Até o fim de maio e o início de junho de 2020, os debates nas unidades acadêmicas devem ser finalizados para construir a condição para a decisão sobre a estrutura sindical frente ao Andes-SN. Paralelamente, a assembleia do dia 19 também referendou a participação no 39º Congresso do ANDES-SN, com delegação de até 12 docentes, sendo seis da diretoria e outros seis da base; participação também nas reuniões nacionais dos Grupos de Trabalho (GTs) do ANDES – mediante solicitação dos participantes dos GTs da ADUFC – e na reunião no setor das IFES, sempre que convidados pela direção nacional do ANDES.

É urgente que a categoria se unifique diante desse projeto de contrarreformas permeado por um discurso que tenta desqualificar o papel social da universidade – a exemplo das declarações levianas dadas poucos dias atrás pelo próprio ministro da Educação, Abraham Weintraub, numa clara e direta ofensiva às universidades públicas federais. O discurso de ódio do ministro de Bolsonaro foi repudiado veementemente por inúmeras entidades representativas. Além da ADUFC-Sindicato, rebateram os ataques de Weintraub o ANDES-SN, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O gestor federal não tem medido esforços na tentativa de desqualificar, criminalizar e destruir a imagem das universidades federais.

Ataques sincronizados: enfrentamento é urgente

“Esse encaminhamento em relação à organização sindical é importante pra esta diretoria, que vem lutando de todas as formas para reestabelecer todas as conexões sindicais e de luta, tanto no enfrentamento local, quanto na organização estadual, mas principalmente na tentativa de restabelecer a comunicação nacional para as lutas mais importantes à categoria”, avaliou o presidente da ADUFC, Bruno Rocha, que conduziu a assembleia.

Professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e atualmente dirigente nacional do ANDES, Raquel Dias fez uma rápida participação na Assembleia Geral Ordinária e destacou o momento difícil atravessado pelo país, em especial a educação. “Há um ataque ao caráter público e gratuito da universidade, à autonomia e à democracia, aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. Pra fazer o enfrentamento a todos esses ataques, nossas iniciativas também precisam ser sincronizadas e com a mais ampla unidade de ação”, enfatizou.

Dentro de sua proposta de ação sindical, a diretoria da ADUFC pretende trabalhar somando-se à atuação das centrais e frentes organizadas. “Não somos ilhas e, sozinhos e desarticulados, não vamos conseguir nenhum tipo de reversão de cortes e redução salarial. Isolados e sem nenhum tipo de articulação no Congresso Nacional, não temos condição de levar essas batalhas adiante, como os ataques às universidades”, explicou Bruno Rocha. No que diz respeito aos debates em torno da reorganização sindical, a diretoria da ADUFC compromete-se a exercitar a escuta, fazer a discussão com toda a categoria e manter o espírito de coletividade e de democracia em todas as instâncias. A diretoria indica a proposta de, após encerrados todos os instrumentos de debate sobre o tema, ser feito um plebiscito para definir a refiliação ou não ao ANDES-SN.