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O que a universidade tem a ver com a violência contra as mulheres: o caso do Pici

Nota dos GTs de Políticas de Classe, Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade Sexual

As universidades espelham as relações presentes na sociedade. No seu interior, está o futuro expresso nos projetos de pesquisa, práticas de extensão, na aposta em uma formação emancipadora. Também temos desafios presentes mediados pelo passado, pela história, pelo que fomos e pelo muito que nos constitui, inclusive pelo muito que necessitamos transformar, mudar e fazer emergir mulheres e homens novos. Reconhecer os desafios e a violência que nos envolve cotidianamente talvez seja o primeiro passo. Os dados certamente subestimados da violência contra as mulheres são aterradores.

Segundo o 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de estupros cresceu no país de 2016 a 2017, passando de 54.968 para 60.018 casos registrados, um aumento de 8,4% em um ano. Desde que a Lei do Feminicídio (13.104/15) entrou em vigor, em 2015, o número de casos registrados pela Segurança Pública aumentou 62,7%. A lei prevê situações em que a vítima é morta em decorrência de violência familiar ou doméstica.

A violência é alimentada no cotidiano, nas relações do dia a dia, entre colegas, no compartilhamento de mensagens nas redes sociais, no mau uso hierárquico das relações acadêmicas, na insegurança que permeia o ir e vir das mulheres nos espaços públicos. A conivência com atos de importunação, assédio e autoritarismo movimenta esta máquina de dor e silêncio.

Convocamos toda a sociedade acadêmica à reflexão e à ação: tolerância zero contra abusos, autoritarismo e misoginia. Que cada campus possa criar uma instância de escuta e acolhimento de denúncias. Que seja de todos nós o sofrimento de uma estudante, de uma professora, de um(a) negro(a), de uma pessoa LGBT+.

A administração da universidade deve ser firme em relação à violência contra as mulheres e responder aos questionamentos da sociedade, deve munir a comunidade com informações e ações de combate ao machismo, à violência e a todas as formas de subjugação feminina.

Os Grupos de Trabalho de Políticas de Raça, Gênero e Classe da ADUFC convida a todos(as) os(as) docentes para somar esforços na elaboração de estratégias de formação e ação sindical neste campo. Será uma alegria contarmos com um maior número de colegas. Firmes na luta, que não para, que vem de longe e que tem horizonte!

Fortaleza, 5 de novembro de 2019